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Rio Aporé

O rio caudaloso que marca a divisa entre Goiás e Mato Grosso do Sul e recebe as águas mornas da lagoa.

Atualizado em 08/10/2026

Quem chega a Lagoa Santa pensando só na lagoa termal costuma se surpreender com o Rio Aporé. Largo, de leito rochoso e água corrente, ele passa na beira da cidade e é a segunda atração do município: é ali que acontecem os passeios de lancha, a pesca esportiva e os fins de tarde mais bonitos da região. Este artigo explica onde o rio nasce e deságua, como aproveitá-lo com segurança e por que ele e a lagoa estão ligados.

Geografia: um rio que separa dois estados

O Rio Aporé, que os moradores mais antigos também chamam de Rio do Peixe, tem aproximadamente 200 km de extensão. Em todo esse percurso ele serve de divisa natural entre Goiás, na margem esquerda, e Mato Grosso do Sul, na margem direita. Lagoa Santa fica na margem goiana; do outro lado da água já é território sul-mato-grossense.

O rio corre para o sul e deságua no Rio Paranaíba, que por sua vez forma o Rio Paraná. Isso coloca o Aporé dentro da grande bacia do Paraná, o que explica a variedade de peixes e o fato de o rio ter trechos bem diferentes entre si: em alguns pontos a água é ligeira, com corredeiras sobre pedras; em outros, o rio se alarga e fica calmo, ideal para banho e embarcações pequenas.

O leito rochoso é uma característica marcante. Em vez de barrancos de barro, boa parte das margens tem lajes e blocos de pedra, o que deixa a água mais limpa do que a de rios de fundo argiloso. Na seca, entre maio e setembro, o nível baixa, as pedras aparecem e o rio fica mais transparente. Na chuva, de outubro a março, ele sobe, escurece e ganha força.

Rio Aporé ao nascer do sol, com a margem de mata e água calma, em Lagoa Santa, Goiás
O Rio Aporé ao amanhecer: em trechos calmos como este, o rio parece um lago.
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A ligação com a lagoa termal

A lagoa termal produz cerca de 3,6 milhões de litros de água por hora. Toda essa água precisa ir para algum lugar, e o destino é o Aporé: um canal leva o excesso das nascentes até o rio. Por isso, perto da foz do canal a água do rio fica um pouco mais morna do que o normal, e é comum ver peixes concentrados nesse ponto, atraídos pela temperatura e pela transparência.

Essa ligação é também o motivo de a lagoa nunca transbordar nem "estagnar": ela funciona como uma nascente gigante que alimenta o rio continuamente.

Passeio de lancha e esportes náuticos

O passeio de lancha é a atividade mais procurada no rio. Os barcos saem da margem próxima à cidade e sobem ou descem o Aporé por trechos calmos, com paradas em prainhas de pedra e pontos onde dá para nadar. Um passeio típico dura entre uma e duas horas; no fim de tarde, com o sol baixando sobre a margem de Mato Grosso do Sul, o cenário é o melhor da viagem.

Não há empresa fixa de turismo náutico com bilheteria. Os passeios são organizados por moradores e pelas pousadas, então o caminho mais seguro é perguntar na sua hospedagem ou no CIAT, Centro Integrado de Apoio ao Turista, telefone (64) 3640-1224, quem está fazendo o passeio na época da sua visita e qual o valor. Combine antes: duração, número de pessoas, se coletes estão incluídos e se há parada para banho.

Caiaque e stand-up paddle também funcionam bem nos trechos calmos, mas é preciso trazer o próprio equipamento, pois não há aluguel regular na cidade.

Pesca no Aporé

O Aporé é o principal ponto de pesca de Lagoa Santa e atrai pescadores de Goiás, Minas, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Espécies comuns na bacia do Paranaíba, como pintado, dourado, pacu, piau e traíra, aparecem no rio, com melhor época na seca. Tudo sobre licença, piracema, equipamento e o Festival de Pesca da cidade está reunido na página Pesca em Lagoa Santa.

Névoa da manhã sobre o Rio Aporé, com árvores nas margens
Manhã de inverno no Aporé: a névoa é comum nos meses secos, quando o ar esfria de madrugada.

Segurança no rio

O Aporé é um rio de verdade, com correnteza, pedras submersas e trechos fundos. Ele não tem a docilidade da lagoa termal. Trate cada entrada na água como uma decisão, não como um mergulho automático.

  • Colete salva-vidas em qualquer embarcação, para todos, inclusive quem nada bem. Confira se o barco tem coletes suficientes antes de embarcar.
  • Não mergulhe de cabeça de pedras ou barrancos. O leito rochoso é irregular e a profundidade muda em poucos metros.
  • Evite nadar em corredeiras e em pontos onde a água muda de cor de repente, sinal de poço fundo ou de correnteza.
  • Crianças sempre com colete e ao alcance da mão. Prainhas de pedra parecem rasas, mas a borda cai rápido.
  • Chuva forte a montante faz o rio subir em poucas horas, mesmo com sol na cidade. Na estação chuvosa, pergunte aos moradores antes de entrar.
  • Álcool e rio não combinam. A maior parte dos acidentes em rios do Centro-Oeste envolve bebida.
  • Em caso de emergência, o Hospital de Pronto Socorro de Lagoa Santa atende pelo (64) 3640-1267. Mais contatos em Telefones úteis.

Onde ver o rio sem molhar o pé

Algumas hospedagens ficam na beira do Aporé; a Pousada Sakura, por exemplo, tem restaurante com varanda voltada para o rio, e é um bom lugar para um fim de tarde mesmo para quem não está hospedado. A ponte da rodovia e a margem próxima ao centro também dão boas vistas, especialmente ao amanhecer, quando a névoa sobe do rio nos meses frios. Para fotografar, chegue antes do sol nascer; em julho, isso significa por volta das 6h30.

Fauna nas margens

O corredor de mata ciliar do Aporé concentra boa parte das aves da região. Biguás pescando, andorinhas-do-rio rasantes sobre a água, maria-faceira nas pedras e, com sorte, araras-canindé passando alto no fim da tarde. Capivaras aparecem nas margens mais tranquilas, sobretudo ao entardecer. Leve binóculo se gosta de observar aves; a lista completa da fauna e da vegetação está em Geografia.

Dá para nadar no Rio Aporé?

Sim, nos trechos calmos e nas prainhas de pedra, de preferência com orientação de quem conhece o rio. Evite corredeiras e poços fundos e nunca mergulhe de cabeça. A lagoa termal continua sendo o lugar mais seguro para banho, principalmente com crianças.

Como contrato um passeio de lancha?

Pergunte na sua pousada ou ligue para o CIAT, (64) 3640-1224. Os passeios são feitos por moradores e hospedagens locais, sem bilheteria fixa. Combine duração, preço e coletes antes de embarcar.

O Aporé é o mesmo rio que o Rio do Peixe?

Sim. "Rio do Peixe" é o nome popular antigo do Aporé na região. Nos mapas oficiais e nas placas ele aparece como Rio Aporé.

Por que a água do rio fica morna perto da cidade?

Porque um canal despeja no rio o excesso da lagoa termal, cerca de 3,6 milhões de litros por hora a 31 °C. Perto da foz do canal a água se mistura e fica levemente mais quente.

Qual a melhor época para conhecer o rio?

Na seca, de maio a setembro, o rio está mais baixo, mais transparente e com as pedras à mostra, o que facilita o passeio de barco, a pesca e as fotos. Veja a página Quando ir.

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